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Orientação e aconselhamento na educação pré-escolar e escolar
Portugal

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11.Apoio educativo e orientação

11.4Orientação e aconselhamento na educação pré-escolar e escolar

Last update: 29 April 2026

Orientação em contexto escolar

O desenvolvimento e orientação vocacional é um dos domínios de atuação privilegiado do psicólogo em contexto escolar. O foco da orientação perspetiva uma intervenção ao longo da escolaridade que permita ao aluno o desenvolvimento de competências de tomada de decisões acerca do seu percurso formativo e, futuramente, profissional. 

Na escola, paralelamente a um trabalho individual, de acordo com as competências específicas de cada elemento, há uma complementaridade necessária entre psicólogo, direção, docentes, famílias e outros elementos e estruturas da comunidade educativa que introduz o compromisso e o envolvimento de todos, conduzindo a respostas mais diversificadas, abrangentes e adequadas.

No âmbito da intervenção em desenvolvimento de carreira e orientação vocacional, os serviços de psicologia e orientação (SPO) desenvolvem, em articulação com outros intervenientes da comunidade educativa, um conjunto de atividades:

Órgãos de Direção, Gestão e Administração Escolar

  • Colaborar e apoiar na construção da oferta educativa e formativa da escola.

Pais e Encarregados de Educação

  • Planear e dinamizar ações de sensibilização para os pais e encarregados de educação (e comunidade em geral) sobre aspetos inerentes ao processo de tomada de decisão educativa e de carreira dos seus educandos.

  • Planear e dinamizar eventos de informação sobre a oferta educativa e formativa. 

Centros Qualifica

  • Participar em ações e eventos no domínio da oferta educativa e formativa e da transição para o mercado de trabalho;

  • Colaborar nos processos de transição entre o percurso educativo e formativo.

  Autarquias

  • Participar em eventos sobre a oferta educativa e formativa e noutras iniciativas que promovam o desenvolvimento das crianças e dos jovens.

Ensino Superior

  • Colaborar na organização de atividades de apoio à transição para o ensino superior.

 Mercado de trabalho

  • Colaborar na organização de experiências de formação em contexto de trabalho;

  • Colaborar na organização de eventos no âmbito da capacitação da escola e dos alunos sobre a realidade laboral;

  • Colaborar na organização de estágios.

  • A orientação e desenvolvimento vocacional assumem um papel central na intervenção dos psicólogos, enquanto técnicos especializados nesta área, ao longo de toda a escolaridade dos alunos, em colaboração com os outros agentes educativos, especialmente em momentos decisivos do percurso académico dos alunos, como a escolha entre diferentes vias de educação e formação no final do 9.º ano e a decisão sobre prosseguimento de estudos ou ingresso no mercado de trabalho no final do 12.º ano.

O desenvolvimento vocacional assume-se como uma intervenção estruturada que auxilia os alunos na construção dos seus projetos de vida e carreira. Esta intervenção ocorre em três níveis de intervenção:

  • Nível 1: Capacitação e gestão da informação

Neste nível, a intervenção centra-se na gestão da informação. Pretende-se capacitar os alunos para gerir de forma autónoma informação: pesquisar, validar, verificar a credibilidade das fontes e selecionar o que é relevante. Num mundo globalizado e face à diversidade de fontes de informação disponíveis, é crucial que os alunos aprendam a gerir de forma eficiente e eficaz o enorme volume de informação ao seu alcance. São incentivados a explorar por iniciativa própria, com uma perspetiva ampla da oferta educativa e formativa, considerando opções locais, nacionais e internacionais.     

  • Nível 2: Desenvolvimento do autoconhecimento e identidade

O objetivo deste nível de intervenção é apoiar os alunos no desenvolvimento e na adoção de estratégias. Estas estratégias devem permitir que os alunos se relacionem consigo mesmos, com suas características pessoais, com a diversidade das suas experiências e com as exigências das atividades profissionais e dos currículos dos cursos. Assim, pretende-se contribuir para a formação de uma identidade de carreira mais definida e para o estabelecimento de objetivos educativos e de carreira congruentes.

  • Nível 3: Coping e flexibilidade na tomada de decisão

Neste nível, a complexidade e o grau de aprofundamento da intervenção são significativamente amplificados e especializados, uma vez que implica reestruturações cognitivas e o desenvolvimento de estratégias de coping e adaptabilidade promotoras de competências de tomada de decisão 

A implementação destas intervenções requer a colaboração ativa entre psicólogos, docentes, famílias e a comunidade, garantindo que os alunos disponham de um suporte abrangente na construção do seu percurso escolar e futuro profissional.

Aconselhamento psicológico 

O apoio e aconselhamento psicológico constitui um dos domínios de intervenção dos psicólogos em contexto escolar, integrando um conjunto articulado de ações e estratégias orientadas para a promoção do desenvolvimento global e equilibrado das crianças e dos jovens ao longo do seu percurso educativo. Embora inclua a intervenção direta junto dos alunos, este domínio privilegia, em primeiro lugar, o apoio e o aconselhamento aos docentes, contribuindo para a definição de respostas educativas diferenciadas e para a implementação eficaz de medidas de apoio à aprendizagem e à inclusão. A sua finalidade é criar condições favoráveis à concretização das aprendizagens essenciais, sendo a intervenção delineada com base nas competências, capacidades, valores e atitudes a desenvolver no final da escolaridade obrigatória, tendo em consideração as características individuais dos alunos, bem como os seus contextos e circunstâncias de vida.

Para potenciar o seu impacto, a intervenção deve iniciar-se de forma precoce, com enfoque na criação de ambientes educativos promotores da aprendizagem e do desenvolvimento. A abordagem adotada é predominantemente indireta e preventiva, recorrendo-se à intervenção direta e de carácter remediativo apenas em situações excecionais e por períodos temporalmente delimitados. Neste âmbito, compete aos psicólogos contribuir para a conceção, implementação e avaliação de intervenções multinível que promovam a aprendizagem, a inclusão, o bem-estar e a saúde física e mental; participar na avaliação integrada de indicadores académicos, socioemocionais, comportamentais e de bem-estar, apoiando processos de despiste universal e de monitorização do progresso dos alunos; realizar avaliações psicológicas globais de situações relacionadas com o desenvolvimento, a aprendizagem e o comportamento, orientadas para os fatores contextuais, necessidades e potencialidades de cada aluno; colaborar com docentes e lideranças escolares na identificação e análise de situações de preocupação, fornecendo orientação, apoio e aconselhamento; participar nos processos de avaliação e intervenção multidisciplinar, nomeadamente na identificação de medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão; e apoiar a definição e implementação de respostas educativas adequadas, em articulação com famílias, encarregados de educação e serviços da comunidade.

As funções de apoio e aconselhamento psicológico são transversais a todos os níveis de escolaridade, podendo a ênfase da intervenção variar em função das idades, dos contextos e dos objetivos de desenvolvimento e aprendizagem. Respeitando a autonomia técnica e científica dos psicólogos e das instituições educativas, este domínio de intervenção pode incidir, entre outras áreas, na facilitação das transições escolares, no apoio a processos de antecipação ou adiamento de matrícula, na diferenciação pedagógica e organização dos ambientes de aprendizagem, na promoção da literacia emergente, da leitura, da escrita e da numeracia, no desenvolvimento da autorregulação, do envolvimento nas aprendizagens, da resiliência e das competências socioemocionais, no apoio à disciplina positiva, na implementação de sistemas de tutorias e mentorias, na colaboração com a Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva, na prevenção do bullying, da violência escolar e de outras formas de violência, no combate ao preconceito, à discriminação e ao estigma, na promoção da literacia em saúde física e mental, financeira e digital, bem como no apoio em situações de crise e catástrofe, como luto, suicídio, abuso ou desastres naturais.

Orientação vocacional

Sobre este assunto, por favor consulte a secção acima: 1. Orientação em contexto escolar.